Ela ganhou ares de mãe. Vestiu trajes de mulher forte e bonita e batalhadora. Mas a armadura estava vazia. Não havia nenhum cavaleiro dentro. No todo, era uma superfície áspera de tanto caminhar de ferida em ferida e sem nenhuma mitose que a regenerasse. Envelhecia. Não o corpo. O corpo tinha até rejuvenescido. O corpo sabia de sua beleza e por isso imergia em vaidade. Os poucos que a admiravam, se é que admiravam, admiravam sua superfície de mulher forte e bonita e batalhadora. Mas mesmo que ela fosse esses nomes bonitos isso só seria vício da moral grega ou medieval que está em nossas entranhas, em nosso genótipo em nossa cultura mórbida e antinatural. Na verdade, sua virtude era a vaidade. Não digo, porém, que era infeliz. Não. Esse é outro erro cultural. Ninguém é feliz e nem o contrário. São estados de humor. Entretanto raramente via um sorriso ou uma expressão de contentamento. Ela então ganhou a obstinação de mãe. A prisão de um amor obrigado. Afetada. Alfinetada. Todas as ilusões morriam de câncer lentamente. Estava doente. Um corpo com toda a fisiologia funcionando como uma máquina nova e não obstante um corpo enfermo. Um casamento, um filho, uma casa, um trabalho, alguns vizinhos e contas. Eis uma vida que não se escolhe. Eis uma vida que a civilização escolheu. Quando ela nasceu, ela e eu e você, todas as significações nos foram injetadas. Com o tempo a noção de amor, de dever, de culpa, de intenção nos tornou mórbidos. E ela se tornou essa mulher com ares de mãe cumprindo sua missão que é nunca mais beber a liberdade, comê-la, fumá-la. Nunca mais trepar com a liberdade. Mas espere... Num belo dia... Num belo dia... Nada. Nada. Ela continua lá. Vestindo sua armadura vazia. E a melhor desculpa é crer em destino.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Sobre nossos atos contraditórios
A certa altura de minha vida, ainda na adolescência, atingí uma consciência moral notável. Em contrapartida, me tornei um tapado. Eu pensava: por que as autoridades não proíbem o cigarro e a bebída? Seria melhor para todos, principalmente na questão da saúde. E mais: por que as pessoas brigam, falam palavrão, fazem escândalo? Todos deviam conversar e chegar a um acordo. Mas o tempo se encarregou de me explicar os porques. Segundo meu próprio pensamento, existem duas forças em nós: uma libertária e uma conservadora. A primeira diz respeito ao animal em nós. Ela se manifesta segundo nossas emoções. Então quando as pessoas se drogam elas simplesmente estão buscando uma libertação em oposição a repressão da cultura e isso é necessário para seu equilíbrio. Quem fuma, por exemplo, a príncipio faz em razão de uma autônomia e é sempre na juventude que você quer se afirmar. Depois aquelas 4.700 substâncias tóxicas passam a ser necessárias a homeostasia da pessoa. Já a força conservadora atua em razão da razão. A cultura civilizou-nos e manter, ao menos aparentemente, o controle de nossas vidas tornou-se um desejo forte. A batalha entre estas duas forças faz de nós seres paradóxos. Pensamos A e fazemos B. Quebramos promessas. Perdemos as estribeiras. E voltamos a nossa entediante e necessária rotina. As mudanças parecem ser o lobo-mau. Quem tem medo do lobo-mau? Todos. É uma defesa da força conservadora. Não obstante, sonhamos com romance e aventura. Como nos aventurarmos sem mudar nada em nossa vida? Esse é o grande dilema humano. Desejamos profundamente algo do qual temos profundamente medo de realizar. isso sem falar em outro conflito: o meu desejo contra o desejo do ambiente. Agora por exemplo o meu desejo era estar em um bela praia contemplando a beleza da imensidão do mar. No entanto, o ambiente me força a trabalhar. Ao meu ver, a grande sacada é estar atento para os momentos em que essas forças e conflitos venham a convergir para então atingirmos um grau melhor de satisfação.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Da semântica à política passando por bichinhos e outras coisas.
Existem certas palavras que expressam significados totalmente diferentes de sua estrutura. Não falo em etimologia precisamente, mas em uma obviedade. Por exemplo, o verbo ratificar é o mesmo que afirmar. Porém, a disposição da palavra faz com que o melhor siginificado fosse "tornar rato". Assim: "a bruxa malvada ratificou as crianças". Bem mais claro não? Outra palavra é patologia que é sinônimo de doença. Todavia deveria denotar "especialidade em patos" ou "estudo dos patos". Assim: "o patólogo descobriu que o pato é um animal poligâmico poi dispõe de quatro patas". Há ainda as palvras homo sapiens que designam homem que pensa e homo sapiens sapiens que denota homem que pensa e que sabe que pensa. Não obstante, essas palavras deveriam significar respectivamente: "sapo gay" e "sapo gay que sabe que é gay". Desta maneira: "o homo sapiens saiu para namorar outro homo sapiens". Apesar de que homo que significa igual deveria designar sabão em pó. Assim: "O sapo gay ensaboado que sabe que é gay e que está ensaboado saiu com outro do mesmo fenótipo". Infelizmente isso ofenderia nossa cultura de cantar que o sapo não lava o pé, pois ele tanto lavaria o pé como seria naturalmente ensaboado. Outro problema nesse caso é que essa espécie de sapo não existe e essas palavras cairiam em desuso. E se por alguma força metafísica ou ironia divina viesse a existir tal aberração, ela não duraria muito posto que não se procriariam. Tristes leis da natureza. Mais uma palavra que me ocorre é cidadão que designa imponentemente: indíviduo em pleno gozo de direitos civis e políticos em um estado livre. Sem entrar no mérito da utopia da palavra, só com sua constituição podemos afirmar que ela na verdade deveria expressar "cidade muito grande". Desta forma: "São Paulo é um cidadão". Inúmeros são os casos de equívocos semânticos. Porém não se pode fazer nada devido ao constante uso dessas palavras e em alguns casos por serem palvras de um idioma morto. Entretanto, resta aos amantes da linguagem clara sonhar com o dia em que as palvras não permitirão más interpretações e consequetemente a humanidade estará livre da retórica daqueles que tem como instrumento de manipulação a palavra.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Estigma
Um moço de traços rudes olhou pra mim com seriedade. Sua fisionomia grave dava-lhe, em contraponto a seus trajes, um ar de trabalhador. Porém o rapaz não era laborativo. Desistira da alfabetização por não acompanhar o ritmo da escola. E agora, com quase trinta anos e um dos mais velhos entre as sete proles, ainda morava com os pais. A sociedade não o tragava. Então ele tragava um cigarrinho. Me aproximei. Era meu dever pois estava entrando na família, posto que iniciara um namoro com sua irmã. Comecei, sem jeito, uma prosa sem assunto. Para ele foi como o pulo do golfinho. Sair da segregação, da discriminação, do escárnio. Eu não sabia, mas ele era tachado de louco. Um rótulo trazido desde de a infância que a avó com toda a bondade queria validar tentando aposentá-lo. Durante a conversa ele me confessou que não era louco e que tinha sonhos, angústias, que tinha desejos sexuais como qualquer outro. Mas não havia prazeres pra um louco dependente dos pais. Não havia esporte, amizades, sexo, amor, nada. Não havia cor, perfume nem rosa em sua fabricada loucura. Ele não gozava. Então tragava um cigarrinho.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Reflexões acerca da perpetuação da espécie
ABSTRACT
Tendo em vista que na contemporaneidade o macho da nossa espécie, homo sapiens, tem dificuldades para lidar com a fêmea da mesma podendo comprometer, a longo prazo, a perpetuação da espécie segue algumas considerações biopsicofilosóficas sobre tal problemática:
I- De como manipular o calendário
A fêmea de nossa espécie é um ser tão maravilhoso quanto complexo. Se faz necessário, nesse sentido, seguir algumas premissas. É necessário, a priori, ter memória elefântica para ter êxito ao lidar com tamanha complexidade. Nesse contexto, deve-se lembrar de todas as datas comemorativas: Aniversários da primeira semana, mês, ano e dia dos namorados, além da data de quando se conheceram e se possível presentear com flores e ou chocolates em todas estas datas. É muito importante lembrar também da data de coisa alguma e dar um mimo para a fêmea amada, pois ela entende que só é bem amada quando o macho sapiens dá um mimo sem nenhuma obrigação.
II- Das diferenças biológicas
É necessário também, saber que o macho e a fêmea sapiens apresentam diferenças biológicas fundamentais. Exemplo: o macho sapiens evoluiu de primatas caçadores, esta função exigia concentração por isso o macho sapiens não consegue se concentrar em mais de um estímulo ambiental e consequentemente não consegue executar duas tarefas simultâneamente. Práxis que a fêmea sapiens executa sem esforço e com notável elegância. Isto porque a fêmea sapiens evoluiu de colhetoras que precisavam colher, cuidar dos filhotes e se comunicar com outras fêmeas tudo ao mesmo tempo. Isso também lhe conferiu maior número de palavras do que o homem. Assim, quando a fêmea amada disparar uma metralhadora de informações sobre seu dia no trabalho escute-a atentamente ( escutar significa, neurofisiológicamente, processar a informação sonora e não apenas registrar o som). O macho sapiens consegue manter-se atento por... cinco minutos. Faça melhor que isso, faça comentários demonstrando interesse. Cuidado, a fêmea sapiens costuma fazer perguntas capciosas à fim de, em termos gaúchos, te pegar no pulo. Dada a devida resposta a fêmea sapiens se sentirá amada e segura garantindo assim o amor ( leia-se cópula caso utilize este artigo pseudo-científico como referência bibliográfica para trabalho acadêmico) e a consequente perpetuação da espécie. Outro caso corriqueiro, é quando o macho sapiens está desfrutando da alta tecnologia contemporânea: a T.V. E sua amada fêmea sapiens precisa ( repare que o termo não é quer) dar vazão aos milhares de acontecimentos do dia, comentários minunciosos que fizeram sobre ela, idéias para o fim de semana, mortes e nascimentos relacionados a amigos e vizinhos sapiens. Idéias que transbordaram de seu hipocampo (parte do encéfalo reponsável pela memória) para o cortéx pré-frontal (a grosso modo é a consciência).Nesse caso como o macho sapiens só consegue focar em um estímulo geralmente ele não escuta a fêmea sapiens amada acarretando conflitos e comprometendo o futuro da espécie. Portanto desligue o aparelho de alta tecnologia contemporâneo (você pode fazer isso outra hora, a perpetuação da espécie é mais importante) e abra bem as orelhas internas.
III- Das opiniões implícitas
A fêmea sapiens contemporânea vem ganhando autonomia e provavelmente irá querer dividir as contas com o macho sapiens. A priori, isto parece ótimo para o macho sapiens. Porém pode estar implícito em tal gesto um desejo ( termo que designa um querer mais profundo que a vontade e portanto inconsciente) de que o macho sapiens seja um bom cavalheiro e pague toda a conta com seu cartão de crédito sapiens. Isto ocorre porque a fêmea amada quer ser protegida pelo macho sapiens, em nossa conteporâneidade a proteção se dá por meio do dinheiro sapiens do macho de nossa espécie. Provavelmente ela não sabe que é isso que ela deseja, pois, sob a luz da psicanálise, provavelmente este é um desejo de seu id ( instância psiquica responsável pelos desejos mais primitivos). É justo que o macho sapiens pague toda a conta sapiens, pois a fêmea sapiens tem mais necessidades que ele. Exemplo: O macho sapiens precisa de: desodorante, gel e sabonete. Pronto, já está preparado para seleção sexual. Já a fêmea sapiens precisa de: perfume, xampus, condicionadores, lápis de olho, rímel, batom, brincos, corrententinhas, cremes para cada parte do corpo etc etc etc. Isto porque, teórico-moralmente, é a fêmea sapiens que deve ser cortejada. Assim o macho sapiens deve sempre ajudá-la a ficar atraente garantindo o aumento do nível de testosterona e em consequência a perpetuação da espécie.
VI- Das considerações finais
Existem outras inúmeras teorias para bem lidar com a fêmea sapiens, mas que ficará para outro artigo pseudo-científico posto que não quero cansar o prezado leitor. Vale ressalvar, que o mais importante é se comunicar, ainda que o casal sapiens fale línguas diferentes, atentando-se para as entrelinhas. Não é raro um "não" ser um "sim" bem disfarçado na dialética da fêmea sapiens. Seguindo a risca as dicas desse artigo pseudo-científico o macho sapiens será altamente recompensado pela sua amada fêmea sapiens com beijinhos, carinhos, comidinhas e amorzinhos. Assim a espécie será preservada e poderá continuar evoluindo sem maiores complicações.
Tendo em vista que na contemporaneidade o macho da nossa espécie, homo sapiens, tem dificuldades para lidar com a fêmea da mesma podendo comprometer, a longo prazo, a perpetuação da espécie segue algumas considerações biopsicofilosóficas sobre tal problemática:
I- De como manipular o calendário
A fêmea de nossa espécie é um ser tão maravilhoso quanto complexo. Se faz necessário, nesse sentido, seguir algumas premissas. É necessário, a priori, ter memória elefântica para ter êxito ao lidar com tamanha complexidade. Nesse contexto, deve-se lembrar de todas as datas comemorativas: Aniversários da primeira semana, mês, ano e dia dos namorados, além da data de quando se conheceram e se possível presentear com flores e ou chocolates em todas estas datas. É muito importante lembrar também da data de coisa alguma e dar um mimo para a fêmea amada, pois ela entende que só é bem amada quando o macho sapiens dá um mimo sem nenhuma obrigação.
II- Das diferenças biológicas
É necessário também, saber que o macho e a fêmea sapiens apresentam diferenças biológicas fundamentais. Exemplo: o macho sapiens evoluiu de primatas caçadores, esta função exigia concentração por isso o macho sapiens não consegue se concentrar em mais de um estímulo ambiental e consequentemente não consegue executar duas tarefas simultâneamente. Práxis que a fêmea sapiens executa sem esforço e com notável elegância. Isto porque a fêmea sapiens evoluiu de colhetoras que precisavam colher, cuidar dos filhotes e se comunicar com outras fêmeas tudo ao mesmo tempo. Isso também lhe conferiu maior número de palavras do que o homem. Assim, quando a fêmea amada disparar uma metralhadora de informações sobre seu dia no trabalho escute-a atentamente ( escutar significa, neurofisiológicamente, processar a informação sonora e não apenas registrar o som). O macho sapiens consegue manter-se atento por... cinco minutos. Faça melhor que isso, faça comentários demonstrando interesse. Cuidado, a fêmea sapiens costuma fazer perguntas capciosas à fim de, em termos gaúchos, te pegar no pulo. Dada a devida resposta a fêmea sapiens se sentirá amada e segura garantindo assim o amor ( leia-se cópula caso utilize este artigo pseudo-científico como referência bibliográfica para trabalho acadêmico) e a consequente perpetuação da espécie. Outro caso corriqueiro, é quando o macho sapiens está desfrutando da alta tecnologia contemporânea: a T.V. E sua amada fêmea sapiens precisa ( repare que o termo não é quer) dar vazão aos milhares de acontecimentos do dia, comentários minunciosos que fizeram sobre ela, idéias para o fim de semana, mortes e nascimentos relacionados a amigos e vizinhos sapiens. Idéias que transbordaram de seu hipocampo (parte do encéfalo reponsável pela memória) para o cortéx pré-frontal (a grosso modo é a consciência).Nesse caso como o macho sapiens só consegue focar em um estímulo geralmente ele não escuta a fêmea sapiens amada acarretando conflitos e comprometendo o futuro da espécie. Portanto desligue o aparelho de alta tecnologia contemporâneo (você pode fazer isso outra hora, a perpetuação da espécie é mais importante) e abra bem as orelhas internas.
III- Das opiniões implícitas
A fêmea sapiens contemporânea vem ganhando autonomia e provavelmente irá querer dividir as contas com o macho sapiens. A priori, isto parece ótimo para o macho sapiens. Porém pode estar implícito em tal gesto um desejo ( termo que designa um querer mais profundo que a vontade e portanto inconsciente) de que o macho sapiens seja um bom cavalheiro e pague toda a conta com seu cartão de crédito sapiens. Isto ocorre porque a fêmea amada quer ser protegida pelo macho sapiens, em nossa conteporâneidade a proteção se dá por meio do dinheiro sapiens do macho de nossa espécie. Provavelmente ela não sabe que é isso que ela deseja, pois, sob a luz da psicanálise, provavelmente este é um desejo de seu id ( instância psiquica responsável pelos desejos mais primitivos). É justo que o macho sapiens pague toda a conta sapiens, pois a fêmea sapiens tem mais necessidades que ele. Exemplo: O macho sapiens precisa de: desodorante, gel e sabonete. Pronto, já está preparado para seleção sexual. Já a fêmea sapiens precisa de: perfume, xampus, condicionadores, lápis de olho, rímel, batom, brincos, corrententinhas, cremes para cada parte do corpo etc etc etc. Isto porque, teórico-moralmente, é a fêmea sapiens que deve ser cortejada. Assim o macho sapiens deve sempre ajudá-la a ficar atraente garantindo o aumento do nível de testosterona e em consequência a perpetuação da espécie.
VI- Das considerações finais
Existem outras inúmeras teorias para bem lidar com a fêmea sapiens, mas que ficará para outro artigo pseudo-científico posto que não quero cansar o prezado leitor. Vale ressalvar, que o mais importante é se comunicar, ainda que o casal sapiens fale línguas diferentes, atentando-se para as entrelinhas. Não é raro um "não" ser um "sim" bem disfarçado na dialética da fêmea sapiens. Seguindo a risca as dicas desse artigo pseudo-científico o macho sapiens será altamente recompensado pela sua amada fêmea sapiens com beijinhos, carinhos, comidinhas e amorzinhos. Assim a espécie será preservada e poderá continuar evoluindo sem maiores complicações.
É Tudo em Vão
Não tenho nada
Por que haveria de querer ter razão?
A verdade já tem dono
E suas palavras envenenam o coração
Não estudei nada
Por que haveria de saber de alguma coisa?
E saber que não sabe nada já é saber demais para um cético pagão
Sonho...
Igual um vagabundo
Sou o silêncio de Carlitos no cinema mudo
Dão-nos a vida para renunciar a ela e ter salvação
Mas não sou nada
Por que haveria de querer ser salvo?
Por outro lado, não quero nada
Porque haveria de querer a vida então?
É tudo em vão meu Deus! É tudo em vão...
Por que haveria de querer ter razão?
A verdade já tem dono
E suas palavras envenenam o coração
Não estudei nada
Por que haveria de saber de alguma coisa?
E saber que não sabe nada já é saber demais para um cético pagão
Sonho...
Igual um vagabundo
Sou o silêncio de Carlitos no cinema mudo
Dão-nos a vida para renunciar a ela e ter salvação
Mas não sou nada
Por que haveria de querer ser salvo?
Por outro lado, não quero nada
Porque haveria de querer a vida então?
É tudo em vão meu Deus! É tudo em vão...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
De como se dá o amor
O seu rosto escondido entre travesseiros e lençois
O seu rosto e seu corpo, o seu corpo e o seu sono
Este é o instante do amor em mim ser
É quando o universo em mim é você
O seu corpo sem riso, sem cheiro e sem sóis
O seu rosto com raiva, com mágoa e rancor
Este é o instante do amor ausente em mim
É quando o monstro de olhos verdes está entre nós
É assim o amor: prisão e carcereiro e o avesso
Prisioneiro por desejo do coração travesso
só sabe amar quem deixa de amar com muita dor
E resgata o amor com muito, muito mais amor
O seu rosto e seu corpo, o seu corpo e o seu sono
Este é o instante do amor em mim ser
É quando o universo em mim é você
O seu corpo sem riso, sem cheiro e sem sóis
O seu rosto com raiva, com mágoa e rancor
Este é o instante do amor ausente em mim
É quando o monstro de olhos verdes está entre nós
É assim o amor: prisão e carcereiro e o avesso
Prisioneiro por desejo do coração travesso
só sabe amar quem deixa de amar com muita dor
E resgata o amor com muito, muito mais amor
Assinar:
Postagens (Atom)