segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cubículo

   O pássaro enclausurado vislumbrava o horizonte pela janela. Tanto céu e não podia voar. Não obstante, era bem tratado. Comia e bebia bem. Seu dono dava-lhe tudo quanto precisasse. Vivia a nostalgia dos tempos em que seu mundo não tinha fronteiras. Na época em que era seu próprio dono. Seu olhar então começou a ficar entristecido, entorpecido pela lembrança de liberdade. Seu dono o amava e não queria que se machucasse. Mesmo assim, vendo aquele olhar triste desejando os céus, céus estes que lhe causavam ciúme doentio, sentiu uma pena insurpotável. Então resolveu abrir a portinhola daquela gaiolinha para que ele pudesse sair, mas não sem antes cortar suas asinhas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário